sábado, 24 de novembro de 2007

SUCAM SEMPRE SUCAM E O RESTO É FÊ NÊ SI

Estudante na Universidade de Brasília (UNB) nos anos 70, participei de um curso de extensão universitária denominado CONTROLE DE ENDEMIAS RURAIS, com palestras do então Ministro da Saúde, Doutor Almeida Machado e do Superintendente da SUCAM, Doutor Ernani.

Em determinado momento de sua palestra o ministro menciona a região de Serrinha e os municípios próximos como foco endêmico de peste bubônica, como conseqüência de armazenagem inadequada da produção de grãos que atraem os ratos, e etc. e tal.

Colegas presentes no auditório, cientes da minha origem, caem na gargalhada e eu entupo a boca deles com um argumento definitivo, sob a aprovação das excelências presentes: “Em compensação, desconheço quaisquer registros de óbitos na região, graças à ação dos guardas da SUCAM”.

Os guardas da SUCAM desfrutavam de um respeito no interior desse país que só encontrava paralelo nas figuras do médico de família e do padre. Ao Guarda da Peste, ao Médico e ao Padre, estavam reservados os melhores pratos e as melhores camas, além da reverência de todos.

A criançada tá com verme? Tem alguém em casa com tracoma? O cotovelo tá doendo? Estou sem notícias da cidade? O guarda da SUCAM resolve. Aliás, tal reverência datava de priscas eras, ainda no tempo do DNERu (lembram?), o Departamento Nacional de Endemias Rurais.

O Guarda da Peste era o elo que ligava o povo da roça com a civilização. Ele trazia remédios para os nossos males e informações que nos ensinavam a prevenir, mas trazia também notícias de um mundo distante, quase inacessível nas suas 20 léguas da nossa sede de saber.

Aí vem um bando de bem nascidos com suas panças infladas de bem viver e implode um sistema que sempre deu certo e fez a alegria do povo humilde, criando uma tal de Fundação Nacional de Saúde, cuja sigla, Fê Nê Si, está mais para nome de bolero mexicano, que ultimamente figura nas páginas policiais da imprensa do país pela roubalheira generalizada nesse cabide de emprego.

Em nome da redução do tamanho do estado, minimizaram a necessidade do povo e municipalizaram as ações de saúde, sem a devida contrapartida da necessária fiscalização, e o que se vê é o recrudescimento de doenças que os nossos Guardas da Peste mantinham sob controle e do desvio das verbas públicas em benefício de xepeiros, apaniguados e da parentalha do oficialismo.

E o povo... Povo, povo, que instituição é esta?

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